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Há cinco anos, em todo mês de janeiro, acontece a campanha Janeiro Branco, projetada para promover a saúde mental e emocional das pessoas. Tem por objetivo chamar a atenção da população, de profissionais de saúde, da mídia e das instituições sociais, públicas e privadas, para a importância da promoção da Saúde Mental e do combate ao adoecimento emocional dos indivíduos. A campanha aproveita a simbologia do início do ano para incentivar as pessoas a pensarem a respeito das suas vidas, dos seus relacionamentos e do que andam fazendo para investirem e garantirem Saúde Mental e Saúde Emocional em suas vidas e na de todos ao seu redor.

Para a psicóloga Celi Lovato, do Núcleo Evoluir, a importância desta campanha, além de chamar a atenção da sociedade, é contribuir para desmistificar as doenças mentais e seus tratamentos. “E é uma maneira de divulgar que existem várias formas de estar adoecido e um dos principais sintomas é sentir-se em desequilíbrio consigo mesmo ou com as pessoas com quem convive”, pontua.

Luciane Ignácio, também psicóloga do Núcleo Evoluir, reforça que a campanha é sim um importante passo para falar sobre o tema e destaca que saúde mental é parte da saúde física. “Estudos mostram que a influência de como sentimos, interpretamos e nos comportamos pode agir diretamente na nossa saúde. Mudamos a todo momento o mundo que nos cerca, que por sua vez nos influencia. E esse círculo vicioso, se não percebido, pode nos adoecer emocional e fisicamente”, alerta.

Por isso, na sua avaliação, uma campanha como essa pode chamar a atenção para esse tipo de reflexo. E vai além, uma campanha como essa pode ajudar a reduzir doenças. “O primeiro e mais importante passo para a mudança é saber que precisa dela”, pontua Luciane.

Para Celi, esse movimento é um começo para ampliar a discussão. “A divulgação do que se entende por saúde mental  e emocional pode fazer com que pessoas se identifiquem ou identifiquem pessoas ao seu redor com sintomas e definições que estão sendo divulgadas e, assim, podem buscar ajuda”, observa a psicóloga. Ela ainda acrescenta que a Organização Mundial da Saúde divulgou dados assustadores sobre saúde mental no Brasil, colocando o País como recordista de casos de depressão na América Latina e campeão mundial em relação à ansiedade. Além disso, o número de suicídio entre os jovens brasileiros desperta tristeza e preocupação. “Por isso precisamos falar, e muito, sobre isso para salvar vidas”, reitera.

Na sua avaliação, além dessa campanha, outras formas de prevenção podem contribuir para diminuir problemas com saúde mental. Um dos caminhos é levar informação para o maior número de pessoas. As escolas, por exemplo, são ótimas alternativas pois atingem um grande volume de pessoas. “As escolas podem capacitar seus professores e colaboradores e até manter um psicólogo no local, criando projetos de “Educação Emocional” para as crianças e seus familiares”, elenca Celi. Políticas públicas para acesso mais rápido a médicos e psicólogos capacitados para fazer o encaminhamento mais eficiente também podem minimizar problemas mentais e emocionais.

Celi observa que o olhar atento e amoroso dos pais, familiares, professores, parceiros, amigos são sempre de grande importância para identificar que algo está em desequilíbrio na pessoa e que ela precisa de ajuda. “É preciso falar sobre o que está vendo em si próprio ou no outro, buscando ajuda e dando apoio. É segurar na mão e, às vezes, carregar no colo por um tempo e dizer: vem, tem jeito e estamos juntos”.

Luciane, por sua vez, frisa que um dos caminhos mais indicados para minimizar problemas de saúde mental/emocional é conhecer-se. Nesse sentido, um tratamento psicoterápico pode ser muito benéfico, pois promove o autoconhecimento. “É através dele que o paciente entra em contato com seus sentimentos, interpretações, comportamentos, situações que permeiam sua vida. Com a elucidação disso tudo e com supervisão terapêutica ele poderá ordenar melhor seus sentimentos, escolher melhor outras maneiras de se comportar diante das situações e se planejar para futuros projetos pessoais”, explica.

Por isso, reitera a psicóloga, quando uma pessoa não se sente bem emocionalmente, o mais indicado seria reconhecer que precisa de ajuda, que sozinho pode não dar conta e recorrer a alguém com preparação adequada.

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  Nos últimos dias estão sendo divulgados os resultados de vestibulares concorridos, como o da UEL, e a liberação de vagas pelo Sisu (que é o ingresso às universidades através das notas do Enem). Para os aprovados o momento é de alegria, comemoração, alívio, planos novos, vida nova. Mas para o vestibulando que não conseguiu a vaga, o momento é de tristeza, choros, medos e decepções. É normal que o mesmo possa estar acontecendo com você que é pai ou mãe de um jovem vestibulando: felicidade se ele passou e tristeza se foi reprovado.  Você pode sofrer e sentir-se impotente por não livrar seu filho da angústia de não achar o nome na lista de aprovados, mas você precisará saber lidar com sua frustração e acolher seu filho. Lembre-o e lembre-se de que é um processo seletivo: alguns entrarão outros não. Fique “por perto” do seu filho, ofereça apoio, colo, orientação e converse com ele sobre como ele se sente, sempre olhando nos olhos.

       Se você considerar que seu filho não estudou ou se esforçou o suficiente para ser aprovado no vestibular, tenha a certeza de que agora não é o momento para discussão. Avise-o que vocês voltarão a conversar e analisar como foi que ele se preparou para estas provas e depois terão que pensar juntos nas mudanças que farão, pois as estratégias que ele usou não deram o resultado esperado. Não use palavras agressivas, não humilhe seu filho.

Porém, se você o acompanhou e viu que ele não perdeu aulas, manteve um ritmo de estudos intensos, fez simulados, foi aos plantões, entre outras atividades, relembre-o disso e diga que não é possível fazer além do seu máximo. Mostre-lhe que não está sozinho e que você reconhece o esforço dele. Diga que ele precisará de uns dias para elaborar essa perda, porém vocês voltarão a conversar para pensar e decidir juntos as estratégias que usarão para que ele possa continuar buscando a tão sonhada vaga.

     Quando sentir que pode voltar ao assunto com seu filho, analisem o que foi feito, ouça-o e opine, passando otimismo e falando que existem boas perspectivas de futuro. Juntos resolvam sobre o cursinho e as aulas extras que vocês julguem ser melhor, as estratégias que foram usadas e mostraram um progresso e as que devem ser abandonadas. Incentive-o a se organizar e manter um planejamento de rotina de estudos diários, com todos os compromissos semanais, mas oriente-o a também manter hábitos saudáveis incluindo uma atividade física na agenda semanal dele.

       Uma análise importante a ser feita junto com seu filho é se existem questões emocionais que possam estar interferindo no desempenho dele tanto durante a preparação quanto na hora do vestibular (ansiedades, “branco”, falta de concentração, inseguranças, dificuldade para se organizar para estudar ou dificuldade de fazer as provas no tempo concedido, etc), se entenderem que sim ou se não conseguirem chegar a uma conclusão sobre quais fatores estão atrapalhando a sua preparação para o vestibular, procurem ajuda de um psicólogo capacitado que esclarecerá se existe a necessidade de acompanhamento psicológico.

      Mas uma coisa é certa: seu apoio e sua tranquilidade podem aumentar a afinidade entre vocês. É bem possível que seu filho passe a considerar e ouvir mais o seu ponto de vista e principalmente que vocês estão juntos para o que der e vier. Use esse momento de adversidade com sabedoria e aproxime-se mais de seu filho.

Por: Celi Lovato - psicóloga no Núcleo Evoluir

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Como o machismo provoca problemas emocionais, cognitivos e comportamentais e como profissionais da área de psicologia podem identificar e ajudar pessoas em sofrimento? O curso “Introdução à Análise do Comportamento e Feminismo: Implicações na Prática Clínica”, promovido pelo Núcleo Evoluir, vai abordar essa temática. O evento será no dia 2 de dezembro, a partir das 9 horas, no auditório principal do Edifício Torre di Pietra ( Av. Ayrton Senna da Silva, 500, Gleba Palhano).

As responsáveis pelas aulas serão as psicólogas Amanda Oliveira de Morais (UEM/IMPAC) e Marcela de Oliveira Ortolan (UEL), ambas do coletivo Marias & Amélias de Mulheres Analistas do Comportamento. No período da manhã, o curso vai abordar a o impacto do machismo na vida das mulheres e a compreensão do feminismo por uma perspectiva científica, inclusive como campo teórico e político. À tarde, a partir das 14 horas, haverá sessão do CinEvoluir com exibição e discussão do filme Histórias Cruzadas. Como já é tradicional, o Cine oferece coffee break, pipoca e refrigerante durante o filme e certificado.

No curso, Marcela e Amanda vão apresentar casos clínicos para o treino de identificação de situações machistas e apontar as possibilidades de intervenções coerentes com a Análise do Comportamento e o Feminismo. “Vamos mostrar e discutir variáveis machistas presentes no desenvolvimento humano e, consequentemente, na produção de problemas emocionais, cognitivos e comportamentais”, reforçam.

Para elas, todas as relações sociais das mulheres são afetadas pelo patriarcado, da vida privada (casamento, namoro, família, amigos) à vida pública (trabalho, eventos, participação política). As diferentes formas de violência - física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, entre outras - são produtoras e produto desta cultura. “Os efeitos da violência provocam diminuição da autoestima, isolamento, dificuldades nas interações sociais e aumento da probabilidade do desenvolvimento de depressão, ansiedade e transtorno de stress pós-traumático. Além disso, as lesões físicas, que vão de hematomas ao feminicídio, podem provocar adoecimento e DSTs”, antecipam.

O público alvo do curso são estudantes de psicologia e profissionais. O custo é de R$ 60,00 para profissionais e R$ 40,00 para estudantes. Haverá desconto de 25% para grupos de cinco pessoas.

Serviço:

Introdução a Análise do Comportamento e Feminismo: Implicações na Prática Clínica

Dia 2 de dezembro

Auditório principal do Edifício Torre di Pietra – Av. Ayrton Senna da Silva, 500, Gleba Palhano – Londrina/PR

9h às 12h e das 14h às 17h.

Informações e inscrições: (43) 3324-4741 ou (43) 3037-0470

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O Núcleo Evoluir participará da II Semana de Psicologia da Unopar, que terá como tema “Psicologia: Diversidade e Contemporaneidade”. O evento acontecerá nos dias 23, 24 e 25 de outubro, na unidade Piza (av. Paris), com mesas redondas e minicursos.

No dia 23 de outubro, a psicóloga Priscila Sakuma participa, às 19h, da mesa sobre Psicologia do Esporte.

No dia 24 de outubro, às 19h, a psicóloga Cibely Pacífico e a psiquiatra Gisele Teixeira darão o minicurso “Comunicação entre Psicologia e Neurociência: o ponto de vista clínico e psiquiátrico”. E no dia 25, às 8h, a psicóloga Natália Mendes Ferrer falará sobre “Estudo das micro expressões faciais”.

Os interessados devem se inscrever pelo link: https://goo.gl/forms/zLiqTJS9ROFShSmx2.

 O investimento é de R$ 20 para estudantes da Unopar, R$ 25 para alunos de outras instituições e R$ 30 para profissionais.

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A história da personagem Ivan, da novela “A Força do Querer”, chamou a atenção do Brasil para a aceitação das pessoas transgênero. Na trama escrita por Glória Perez, Ivan nasceu Ivana - uma mulher -, mas ao longo da novela se descobre como uma pessoa pertencente ao sexo masculino. Apesar de polêmica, a história de Ivan despertou empatia nos telespectadores, que passaram a ver com olhos menos preconceituosos o dilema das pessoas que não se sentem à vontade no sexo biológico.

A psicóloga Paula Cordeiro, do Núcleo Evoluir, considera importante a iniciativa de falar sobre o assunto. “Como em todos os casos de minorias - que são grupos que diferem da maior parte da população - o preconceito pode ser fatal”, avalia ela, lembrando dos inúmeros casos de manifestações de ódio que resultam até na morte de travestis e transexuais. “É preciso fornecer para a população o maior número de informação possível, estimular a empatia entre as pessoas para que não tenhamos mais situações de preconceito e violências contra essa ou qualquer outra parcela da população”, destaca.

Conforme Paula, não há uma idade padrão para identificação de desconforto com o gênero, até porque muitas vezes esse desconforto é socialmente reprimido e a pessoa só consegue percebe-lo em idade mais avançada. Os sinais que indicam a identidade de gênero com o sexo oposto ao nascimento podem ser claros, como desconforto especifico com o gênero, insatisfação com características físicas e não reconhecimento como homem/mulher. “Mas pode haver sinais mais gerais, como ansiedade muito alta, alguns traços de depressão, entre outros sintomas não necessariamente ligados à identificação de gênero”, pontua, lembrando que não há regras estabelecidas para todas as pessoas. “A partir do momento em que existe a consciência sobre o gênero, é possível que se comece a apresentar características transgênero. Muitas vezes, devido à cultura e ao meio em que a pessoa vive, ela pode demorar mais para dar pistas ou mesmo se identificar como transgênero”, avalia.

Também não existe uma idade “certa” para o reconhecimento da identidade trans. “As crianças, por exemplo, apresentam forte desejo de pertencer ao outro gênero ou insistência de que um gênero é o outro. Além disso, apresentam descontentamento com a própria anatomia sexual”, explica. Também é frequente observar preferências pelo gênero oposto e resistência em vestir roupas típicas de seu gênero de nascimento.

Pessoas transgênero que decidem assumir essa condição precisam de ajuda e apoio profissional e também de amigos e familiares. A forma como irão comunicar isso, porém, depende de cada contexto. “O principal é conseguir comunicar sentimentos, explicar que o que está acontecendo é uma tentativa de se sentir melhor, de se sentir natural dentro do seu próprio corpo. É difícil para a maioria das pessoas entenderem que algumas pessoas não se sentem naturais com seus corpos, por isso é necessário explicar o que sente e o que espera sentir”, orienta. Amigos e familiares devem formar uma rede de apoio para que não apenas fortaleçam a pessoa transgênero, mas a todos como uma unidade. 

Durante a transição de gênero, toda ajuda necessária é bem-vinda, o que envolve apoio psicológico, psiquiátrico, médico e nutricional, além, é claro, do acolhimento de amigos, familiares, pessoas da comunidade próxima e do trabalho. A psicóloga lembra que uma mudança tão grande pode gerar inúmeros sintomas de ansiedade e depressão. “Por isso é essencial o acompanhamento psicológico”, reforça. 

A psicóloga lembra que existem pessoas que já se assumem como "livres" de definições de gênero e preferem transitar entre os gêneros ao invés de assumir um “rótulo”. “É preciso entender que cada indivíduo é único e, portanto, tem suas próprias características. Nossas preferências e escolhas podem mudar ao longo da vida, o que pode ocorrer devido ao aumento do autoconhecimento e da aceitação de sentimentos”, finaliza.

 
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O Núcleo Evoluir promove no dia 07 de outubro o curso “Avaliação, ensino da comunicação e manejo da ecolalia”, que será ministrado pela psicóloga Fernanda Calixto. O curso é voltado para psicólogos e estudantes de psicologia do quarto e quinto ano. O conteúdo vai abordar a avaliação comportamental da comunicação, o ensino estruturado dos operantes verbais e o manejo comportamental da ecolalia, destacando temas como autismo, ABA e protocolo VB MAAP. 

O atraso no desenvolvimento da linguagem é uma das principais características definidoras do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O “Verbal Behavior Milestones Assessment and Placement Program”, ou VB-MAPP, é um instrumento de avaliação referenciado por critérios, guia do currículo e sistema de rastreamento de habilidades que foi projetado para crianças com autismo e outros indivíduos que demonstram atrasos de linguagem. O curso será uma ferramenta importante para permitir uma boa avaliação do repertório da criança, suas habilidades e dificuldades no aprendizado.

Já a Terapia ABA é considerada a principal estratégia, com base em evidências científicas, no trabalho com crianças do espectro autista. Muitos são os estudos que comprovam a sua eficácia, especialmente na intervenção precoce e intensiva de crianças com autismo até cinco anos de idade.

A psicóloga Fernanda Calixto tem bastante experiência na área e essa será uma ótima oportunidade para os profissionais locais aperfeiçoarem seus conhecimentos. Fernanda tem mestrado pela UEL, doutorado pela UFSCAR e é pós-doutoranda em Psicologia também pela UFSCAR. Ela tem experiência em intervenções analítico-comportamentais, manejo comportamental e promoção de autocontrole. As vagas são limitadas.

Serviço:                                                                             

Avaliação, ensino da comunicação e manejo da ecolalia”, com Fernanda Calixto

7 de outubro

Das 9 às 18 horas

Local: Núcleo Evoluir (Ac Ayrton Senna, 500 - sala 2702)

Informações: (43)3037-0470 e 3324-4741

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Campanha Setembro Amarelo estimula o debate sobre a prevenção ao suicídio e destaca a importância de discutir o tema

Dados da Organização Mundial da Saúde dão conta que mais de 800 mil pessoas em todo o mundo tiram a própria vida anualmente no mundo e cerca de 12 mil no Brasil. Os números podem ser ainda maiores, uma vez que nem sempre o suicídio é notificado. Trata-se de uma importante questão de saúde pública, mas que é possível ser prevenida com ações eficazes e apoio de profissionais da área da saúde capacitados para reconhecer fatores de riscos, que não são poucos. Neste mês, que marca a discussão sobre o tema, especialistas apontam quais ações podem ser importantes para superar esse problema. Entre os caminhos, o mote da campanha Setembro Amarelo: “Falar é a melhor solução”

Para a psicóloga Sephora Cordeiro, do Núcleo Evoluir, falar é sim a melhor saída. “O indivíduo que pensa em atentar contra a própria vida vive um sofrimento emocional muito intenso e, sem dúvida, sofre de algum transtorno psiquiátrico, como depressão”, destaca ela, lembrando que este indivíduo, às vezes, precisa do apoio das pessoas que estão ao seu redor para que percebam seu sofrimento e o ajudem a reconhecer que precisa buscar ajuda profissional.

Sephora lembra que há um grupo vulnerável e que “pede” uma atenção especial, como os que passam por um sofrimento emocional, principalmente quando associado a um transtorno psicológico ou psiquiátrico. Pessoas vítimas de preconceitos, como homossexuais, vítimas de machismo, de bullyng ou que vivenciam eventos extremos, como os refugiados, que deixam seus familiares, sua história e sua identidade cultural e se vêem diante de um outro mundo também podem apresentar comportamentos suicidas. “Muitas vezes é possível perceber indícios de que a pessoa está enfrentando problemas, quando usa frases como “eu não devia ter nascido”, “não vejo mais sentido na vida”, “queria dormir e não acordar mais”, entre outras”, pontua a psicóloga.

Para a psiquiatra Gisele S. Teixeira Bellinello, do Núcleo Evoluir, há ainda algumas variáveis, isoladas ou associadas, que podem ampliar o risco de suicídio, como depressão grave, transtorno afetivo bipolar, síndromes psicóticas, impulsividade, dependência de álcool ou outras substâncias psicoativas, traumas de infância, violência sexual e física, perda ou separação dos pais, entre outras. As faixas etárias de adolescentes e idosos, alerta a médica, também pedem uma atenção especial. Tanto que, segundo dados da OMS, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos.

“Não há um motivo único para essa vulnerabilidade entre os jovens”, analisa Gisele. Entre os fatores que podem influenciar o comportamento suicida estão sentimentos de isolamento e busca por participação em grupos, experiência de abusos físicos e sexuais na infância e adolescência, desestruturação familiar, com diminuição de vínculos afetivos, conflitos com relação à sexualidade e sensação de incapacidade e inadequação frente ao aumento de demandas escolares e sociais, além de ser nessa faixa etária que muitas das doenças psiquiátricas começam a se manifestar, eventualmente já com episódios graves e tentativas de suicídio, especialmente quando associados ao início precoce de uso de bebidas alcoólicas e outras drogas. 

Para as duas profissionais, a melhor forma de ajudar e prevenir o suicídio é mesmo buscar ajuda e informações sobre o sofrimento psicológico e transtornos psiquiátricos. “É importante que se fale mais sobre suicídio de modo responsável, desmistificando o tema e acabando com o preconceito que ainda existe, estimulando o tratamento”, lembra Gisele. Familiares e amigos também precisam ficar atentos ao comportamento para que ajudem quem está sofrendo a buscar ajudar, acrescenta Sephora.

Os principais desafios para enfrentar o problema, avaliam as especialistas, são os estigmas e tabus que percorrem o tema. “Suicídio é a conseqüência irreversível de sintomas não identificados a tempo para tratamento. Por isso é importante investir em informação para população e treinamento para os profissionais de saúde”, pontua a psicóloga. Gisele, por sua vez, reforça que para ajudar a vencer o problema é necessário conhecê-lo melhor. Por isso, ela destaca a importância do profissional de saúde preencher as fichas de notificação obrigatórias quando há tentativas de suicídio ou suicídio já consumado. “O melhor modo de enfrentar os estigmas é com educação e informação de qualidade para toda comunidade”, finaliza a psiquiatra.

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Estamos acompanhando as mudanças da nossa sociedade, com novas configurações familiares, e hoje é raro ver o modelo que imperava há algumas décadas, com o homem sendo o único provedor da casa e a mulher se limitando ao papel de cuidar do lar e dos filhos. Essas mudanças são positivas, com pai e mãe ocupando espaços diferentes e promovendo um novo modelo de educação para os filhos.

Antes os pais estavam mais “distantes” da criação dos filhos, havia menos diálogo, menos convívio e sensibilidade para viver os ganhos e as dificuldades das crianças. O homem cuidava apenas da parte financeira da casa, jogava vídeo game ou assistia ao jogo de futebol junto com o filho, e a mulher era responsável por levar ao pediatra, ia sozinha nas reuniões da escola e cuidava da alimentação dos pequenos, entre outras coisas. Hoje essas atividades não são mais exclusivas nem fazem parte do papel da mãe ou do pai. No geral, muitos casais fazem isso juntos e muito bem.

E essa mudança de comportamento, claro, tem relação direta com a entrada da mulher no mercado de trabalho, uma vez que ela passou a dividir o orçamento doméstico e também precisa da ajuda do parceiro para as tarefas da casa e com as crianças. Essas mudanças de conduta também têm relação com as novas configurações familiares, como casais homoafetivos, mulheres e homens que assumiram a maternidade/paternidade sozinhos, crianças criadas por avós, tios, etc.

É importante ressaltar que essas transformações que estão acontecendo nas relações familiares e na forma como pais e mães criam os filhos não são moda, não são efêmeras. São mudanças sólidas, que estão ajudando a estabelecer nova maneira de educar nossas crianças. É claro que cada casal sabe a melhor forma de educar seus filhos, por isso a atenção deve estar na função dos papeis e não apenas na figura. A participação mais ativa do pai e a desconstrução de papeis que "são da mãe" ou "são do pai" devem ser feitas, pois hoje em dia o espaço é de ambos.

Os dois estão trabalhando muito, crescendo em suas carreiras, e da mesma forma que estão crescendo lá fora, a parceria deve se estender para dentro de casa. A cultura nos ensinou qual é o papel da mãe e do pai, mas hoje as discussões estão transformando a forma como analisamos estes papeis, apontando que ambos podem exercer qualquer atividade quando o assunto é o cuidado e afetividade em relação aos seus filhos, e trazendo ressignificações importantes neste processo.

Pelo lado afetivo, muitos estudos mostram a importância do cuidador mais presente na rotina e na educação dos filhos. E isto vai além da presença física. É importante que os pais não "estejam" apenas com os filhos, mas que dialoguem, discutam, conversem, tenham uma comunicação próxima e de qualidade! No caso de crianças, é importante brincar com elas, assistir desenhos e filmes juntos, fazer tarefas escolares juntos e ensiná-las algumas atividades de rotina (ex. práticas de higiene, cuidados com os próprios pertences, comportamentos relacionados à alimentação, hábitos de estudo).

É fundamental lembrar que os pais são modelos na vida dos filhos, sejam modelos bons ou ruins. E sem dúvida há o aumento da probabilidade das crianças crescerem mais confiantes e com maior autoestima e responsabilidade ao serem expostas a um ambiente em que os pais são mais participativos e que se envolvam mais.

Feliz Dia dos Pais!

Por: Claudia Cantero

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As psicólogas Cibely Pacífico e Priscila Sakuma, do Núcleo Evoluir, ministraram palestra para pedagogos e professores do ensino fundamental e médio, que atuam no Hospital do Câncer de Londrina e no Hospital Universitário e que atendem crianças que estão internadas nessas instituições. A palestra fez parte de um projeto de capacitação continuada para esses profissionais. O título da apresentação foi “Análise do Comportamento e Neurociência: Contribuições para a Aprendizagem no Contexto Hospitalar”.

Conforme Cibely, o convite para a palestra partiu dos próprios hospitais, pensando mesmo na capacitação desses profissionais que atendem os estudantes em situações especiais e também nas dificuldades de aprendizado que as crianças têm nesse contexto hospitalar. “As dúvidas abrangem desde os efeitos dos tratamentos e da medicação na criança até alternativas para deixar as aulas nesses ambientes mais atrativas e menos cansativas para os alunos”, destaca a psicóloga.

Cibely observa que dentro desse contexto hospitalar, mesmo que a medicação não altere aspectos cognitivos da criança, como atenção e memória, o fato dela estar hospitalizada a deixa mais vulnerável também a alterações emocionais, pode provocar estresse, às vezes depressão e ansiedade. E esses contextos emocionais, acrescenta Priscila, interferem no desempenho  cognitivo e em como a criança vai aprender. “E os materiais de ensino precisam sim ser diferentes, mais lúdicos, não dá para ser como no ensino formal, como na escola regular. Precisa ter alguma coisa para chamar a atenção da criança e ajudá-la a se motivar e a participar", frisa Priscila.

Cibely destaca que as aulas são ministradas diariamente, exatamente para as crianças que estão internadas não perderem o conteúdo. Alguns pacientes são atendidos no leito e outros estudam em uma sala preparada no hospital para essas atividades. A questão da criança ter aula no hospital, lembram as psicólogas, é direito garantido por lei e muitas vezes isso ajuda no tratamento porque é como se mudasse o foco, que deixa de ser a dor e a doença. “A criança se sente melhor, mais capacitada, melhora a autoestima e pode aliviar o estresse.”

Os professores são da rede pública de ensino e são cedidos para essas atividades no hospital. Além dessa atividade com as psicólogas, eles participam de outras palestras e outros cursos.

Essa palestra, segundo as psicólogas, foi vinculada ao projeto da ABPMC Comunidade, da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental, que tem a proposta de divulgar a análise do comportamento para a população em geral de forma gratuita.

 
 
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Há pouco menos de duas décadas temos observado mudanças em relação à comunicação, com a dinâmica de troca de palavras se aprimorando: ao invés de cartas utilizamos e-mails ou outras formas mais rápidas para se comunicar, como as mensagens por aplicativos. Tudo isso é reflexo da tecnologia. A comunicação, por sua vez, precisou acompanhar os avanços tecnológicos, consequentemente alterando também a forma que as pessoas expressam afeto e amor.

Hoje as palavras rapidamente são escritas e enviadas, oportunizando que a comunicação aconteça em um curto espaço de tempo. Esta economia de “tempo” acontece também com as palavras, muitas vezes substituídas pelos famosos “emoticons”, que representam estados de humor, aprovação, negação, saudações, despedidas e afeto. E como ficam os relacionamentos amorosos nesses tempos modernos?

Os namoros podem iniciar de forma virtual, a partir de redes sociais ou mesmo sites e/ou aplicativos especializados. Observamos que esses canais têm sido interessantes não só para os mais tímidos, mas também se tornou um ambiente atraente para pessoas que não se identificam com o flerte em bares e baladas, ou mesmo para adultos de meia idade. E isso funciona?

Pode funcionar! As relações também estão passando por mudanças e há muita experimentação. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman fala sobre a liquidez das relações modernas, onde nada é feito para durar, as pessoas estão se acostumando à facilidade de “desconectar-se” e rapidamente se desvencilharem umas das outras.

Para que funcione, porém, é importante que o investimento em conhecer o outro não seja feito pela metade ou de forma pouco tolerante e volátil. Hoje identificamos, principalmente nos mais jovens, imediatismo e busca por prazeres momentâneos, talvez já em consequência desta liquidez que vivemos. É como se as pessoas já tivessem que vir prontas apenas para se encaixarem aos nossos moldes, sendo proibidas de frustrar nossas expectativas, quando na realidade precisamos ajudar o outro a superar suas próprias dificuldades, resultando então em algo positivo para a relação que se constrói.

As relações de qualidade são compostas por sentimentos mais profundos de companheirismo e cumplicidade, sendo acompanhadas por respeito, amor, compatibilidade, flexibilidade e tolerância. Quanto menos tolerantes, menos investimos e lapidamos nossas relações.

A tecnologia pode favorecer os encontros, mas a permanência, e qualidade, da relação só pode ser mantida com as trocas positivas e tolerantes que se faz.

Por: Natália Mendes Ferrer

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