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E quem disse que Skinner não define amizade?

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Por Isabella Plaisant Canezim – estagiária do Núcleo Evoluir

O valor da amizade é um tema discutido desde a Escola de Atenas. Platão e Aristóteles consideravam de extrema importância discorrer sobre o assunto. Platão salienta, nesta época, que a ética, o senso de justiça, a generosidade e a coragem compõem o ser humano e limitam as suas ações.

O que é, então, agir com todas essas virtudes? E, principalmente, como isso aproxima as pessoas? Para Platão, praticar o Bem é uma exclusividade do ser humano. Quando se age virtuosamente com o próximo, está se praticando o Bem, e, consequentemente, se estabelece um elo entre ética e amizade.

Nesse sentido, Skinner, em 1974, aproxima-se de Aristóteles ao postular sobre o autoconhecimento, na qual envolve uma conexão com o julgamento (positivo ou negativo) que, constantemente, fazemos dos nossos amigos.

Aristóteles afirmava que, ao julgar o próximo, estamos enxergando nossas próprias ações. Dessa forma, a amizade se faz importante para nos reconhecer. Ajudar o próximo, agir com justiça e praticar o bem, são ações reconhecidas pelos nossos amigos, que, automaticamente, nos promovem o autoconhecimento.

Através do nosso amigo, vemos nós mesmos. Representamos nossas boas ações. Com ele, compartilhamos e divimos a mesma vontade de fazer o bem. Da mesma forma, eles irão nos dizer quando não estamos agindo virtuosamente, evidenciando os resultados das nossas ações.

O verdadeiro amigo nos restaura, retomando o bom caminho por meio de uma palavra ou por meio do bom exemplo. É nesse ponto que os ensinamentos aristotélicos se assemelham ao Behaviorismo Radical Skinneriano.

Para Skinner (1974/1999), para obtermos o autoconhecimento, é imprescindível a presença do outro. O meio social nos ensina, por meio de comportamentos verbais e não-verbais, como estamos agindo no mundo.

Esse é o verdadeiro valor da amizade. Compartilhamos das mesmas virtudes, dos mesmos gostos, dos mesmos princípios e do mesmo amor. O verdadeiro amigo nos mostra a melhor trilha a ser seguida. Nos mostra o princípio do amor.

ARISTÓTELES. Ética a Nicomaco. Coleção: Os Pensadores, vol. 2. São Paulo: Nova Cultural, 1987.

COMPORTE-SE. Aristóteles e skinner: autoconhecimento, ética e amizade. Disponi´vel em: <https://www.comportese.com/2014/03/aristoteles-e-skinner-autoconhecimento-etica-e-amizade>. Acesso em: 11 jul. 2018.

SKINNER, B. F. Sobre o Behaviorismo. São Paulo: Cultrix, 1999. Originalmente publicado em 1974.